20060928

A Chuva

No verão a chuva vem forte e logo depois, como enxurrada, corre solta, pela sarjeta da calçada. Como tudo que é simples, como a natureza, ela segue em frente rumo ao mar. Quando chove forte, assim é, não é diferente. E para quem está a toa, a hora é boa para soltar barquinhos de papel. Então, por que não aproveitá-la? E se não há papel de folha de caderno - nem mesmo os do tempo de escola!? -, não faz mal, pois sempre há por perto um pedaço de jornal.
E quem souber escrever versos, nessa hora poderá escrever algo tipo assim: LÁGRIMAS DA NOITE, Gotas orvalhadas do luar, Como as lágrimas da chuva A nos encantar. Se estivesse um dia a contemplá-las, Debruçado ao batente de uma janela de madeira, Gostaria que fosse em um chalé, no "Vale das Rosas". Seria em uma noite chuvosa, como estas Que sempre ocorrem no verão. Mas com certeza ela ocorreria ao início da primavera. E se tivesse à mão um copo de bebida (Me sentiria muito bem se fosse um vinho frisante, Ou mesmo um champagne demi-sec), Sorveria-a, deliciosamente, Esperando as horas passarem. E se do canto do quarto Me viesse o som de uma melodia doce Que inundasse quase silenciosamente O ambiente a sua volta (eu estaria em êxtase, Se essa música Fosse a "Sonata ao Luar", de Beethoven). Misturaria esse raro momento de magia Com o encanto dessas lágrimas Vislumbradas ao luar. Seria um momento de poesia realmente inesquecível. E se às minhas costas, Repousando na cama de casal, Estivesse virginal donzela, Me sentiria ainda mais feliz. E quando estivesse inundado desse magistral encanto, Me viraria e iria até ela E abraçaria o seu lindo e meigo corpo desnudado. Afagaria seus negros cabelos caxeados E, aos seus ouvidos, Murmuraria doces versos de amor. E quando ela acordasse Com esse meu canto, Nossos ardentes e sedentos corpos Se juntariam e se fundiriam em um só. Seria um inesquecível momento de amor. Lágrimas da noite, como as lágrimas das alegrias passadas Das nossas vidas, Que os tempos levam e não trazem mais.
Vem a chuva e corre a enxurrada, pela sarjeta da calçada. Para a criançada a hora é boa para soltar barquinhos de papel e, porque não dizer também, pegar frieira no pé!

4 Comments:

Anonymous Márcia(clarinha) said...

Tenho em mim todos os sonhos e todos os arrepios sentidos ao ler em voz alta essa maravilhosa enxurrada de lágrimas da noite.
Que-coisa-mais-linda!!!
Noite feliz Álvaro
beijosssssssssss

2:22 PM  
Anonymous Ordisi said...

Olhaí o Álvaro fazendo texto romântico e cheio de zen vergonhice!

Muito bom, gafanhoto.

Abração.

9:40 AM  
Anonymous pedro pan said...

, simetria em dias chuvosos, em noites chuvosoas. dois corpos em plenitude...
|abraços meus|

10:26 AM  
Anonymous Márcia(clarinha) said...

Olha bem pra mim Sr.Álvaro Míchkim, [escolhido pelos céus como portador do M em questão] somos pois privilegiados por falar muito, por poetar demais, por cuidarmos com prazer dos filhos, por atestarmos amizade mesmo que esse amigo esteja atrás de uma tela de computador, somos então amigos para sempre, ou não?
Direi obrigada tantas vezes achar que devo a todos que me rendem homenagens, direi obrigada sempre à você meu amigo!!
Valeu o carinho
beijossssssssssssss
Márcia(clarinha)

12:14 PM  

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